Word of the Day

Sunday, November 20, 2016

Aos centenas

No lançamento do livro - cuja apresentação foi da responsabilidade do presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto --, Sócrates, constituído arguido na Operação Marquês (por suspeitas de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito), agradeceu aos centenas de presentes.

No Brasil nunca vi, mas nunca se sabe. Parece tratar-se do mesmo fenômeno que faz com que construções com a palavra milhares, que é masculina, apareçam com determinantes no feminino quando segue substantivo feminino, como em agradeceu às milhares (sic) de pessoas.

Thursday, September 29, 2016

Desclassificar.

Segundo documentos ontem desclassificados pelos Arquivos Nacionais britânicos,

Nunca tinha visto desclassificados à inglesa. À portuguesa teríamos, por exemplo, divulgados.

Saturday, September 10, 2016

Delíriá tremens

Rašo má dnes 40 rokov, je v invalidnom dôchodku, má cukrovku, cirhózu pečene, zničený organizmus, alkoholický demenciu a za sebou už tri delíriá tremens.

Rašo is 40 years old, on a disability pension, has diabetes, hepatic cirrhosis, a wrecked organism, alcohol-related dementia and has had three "deliriums tremens"

There delíria is in the Slovak plural, followed by tremens, left in the singular, at least as far as Latin grammar is concerned. If you were to apply Latin grammar to the whole phrase, you would get deliria trementia. Since the word delírium is used in Slovak and treated as a Slovak word, the same could happen to tremens, which would then give us delíriá tremensy. Just kidding, I think that formulation is good enough (or not?). Or then maybe: tri záchvaty (bouts) delíria tremens.

Monday, September 5, 2016

Skyscrapers

There are languages with skyscrapers: Portuguese arranha-céu(s), Spanish rascacielos, Italian grattacielo, French gratte-ciel, Bulgarian небостъргач (nebostrugach), Russian небоскрёб (neboskryob), Croatian neboder, Slovenian nebotičnik; others have cloudscrapers: Czech/Slovak mrakodrap, Macedonian oблакодер (oblakoder), German Wolkenkratzer, Dutch wolkenkrabber, Romanian zgârie-nori, Finnish pilvenpiirtäjä. Danish skyskraber and Swedish skykrappa look very much like skycrapers, but sky in these languages means cloud, not sky. Here for the etymology of the word sky in English.

Thursday, September 1, 2016

Corns

There are languages in which corns (on the skin) or fish eyes are referred to as chicken eyes, like Czech kuří oko, Slovak kurie oko, German Hühnerauge, and Japanese 鶏眼 (keigan). In others, it's fish eyes, like Portuguese olho de peixe, Spanish ojo de pescado, and French œil de poisson. Italian has also opted for a bird, but is more specific: it is occhio di pernice, partridge eye.

Tuesday, August 30, 2016

Esperanto estas la ŝtono filosofal?

In the same Czech magazine. It's supposed to mean Is Esperanto the Philosopher's Stone? I'm no Esperanto expert, but the little I know told me this couldn't be right. After all, Esperanto adjectives end in -a, and I saw none in filosofal. And I also remember reading that yes/no questions start with ĉu (not too different from Polish czy). It turns out the Esperanto name by which the philosopher's stone is known is ŝtono de la saĝuloj, "stone of the sages". According to the same page, Zamenhof himself used filozofian ŝtonon in his Proverbaro Esperanta (Esperanto book of proverbs).

Saturday, August 27, 2016

Portuguese?

In a Czech weekly magazine about the Olympic Games in Rio:

Rozehrávala show s jediným obsahem: "Bon dia". Dobrý den.

"She warmed up the show with a one-word sentence: "Bon dia". Good day/Hello."

Bon dia is Calatan, not Portuguese. Portuguese is bom dia.

Když nastupoval, prodavačky ze stánku s pivem Cerveza k našemu rozladění zatáhly rolety svých stánků, aby stihly jeho disciplínu.

"Whenever he came on, to our disgruntlement saleswomen from the stall with Cerveza beer closed their stall blinds so they wouldn't miss his performance."

Cerveza is Spanish for beer, not Portuguese. We have cerveja.

And it would have been so easy to check these two little things!

Monday, August 22, 2016

A se răzgândi

A se răzgândi, "to change one's mind", is a Romanian verb made up of a Slavic prefix, răz, here roughly to change, and a Hungarian stem, gândi, from Hungarian gond, "thought". A goulash of influences!

Tuesday, August 16, 2016

Le livre est sur le table

Right at the beginning of the movie Eye for an eye, an American girl is studying French aloud and utters Le livre est sur la table. Her mother gently ''corrects'' her: Le livre est sur le table. Tsk tsk.

Sunday, August 14, 2016

Aliás

Lido em Veja (como a própria revista se refere a si mesma): Há um ano, o ex-atleta inglês Sebastian Coe, aliás Lord Coe, duas vezes ouro olímpico na prova de 1 500 metros rasos...

Aliás? Não me consta que em português se use assim. Parece-me um anglicismo semântico.

 adv. (1584) 1  de outro modo, de outra forma  2  além disso  3  emprega-se em seguida a uma palavra proferida ou escrita por equívoco; ou melhor, digo  4  seja dito de passagem; verdade seja dita; a propósito  5  no entanto, contudo  ¤ etim lat. alias 'outra vez, noutro momento; de outro modo' ¤ hom aliás(pl. aliá s.f.) ¤ par alias(fl.aliar)
(Houaiss 2009)

(a.li:ás)
adv.
1. Ou melhor; quer dizer; digo: Os pecados capitais são oito; aliás, sete.
2. A propósito; na verdade: "...nunca mais ousei repetir essas experiências, aliás inúteis." (Mário de Sá Carneiro, A confissão de Lúcio.))
3. De outra forma: Ganhou na loteria; aliás não teria enriquecido sem esse pequeno detalhe [Us. tanto para retificar ou averiguar uma informação, como para confirmá-la ou aperfeiçoá-la.]
4. Além do mais: Casou tarde; aliás, com uma mulher muito mais nova.
5. No entretanto, não obstante, contudo: Escrever poemas para ele é simples; aliás, deve-se lembrar que começou há pouco.
[F.: Do lat. alias 'outra vez'. Hom./Par.: aliás (pl. de aliá, sf.) e alias (fl. de aliar)]
http://www.aulete.com.br/ali%C3%A1s

advérbio
1.ou melhor, ou por outra, ou seja
2.além disso, além do mais, demais a mais
3.no entanto, contudo
4.diga-se de passagem
http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/ali%C3%A1s

Em português normal diz-se também conhecido como/chamado ou equivalentes.

Thursday, August 11, 2016

Bem-vindo

Um aluno meu, da República Tcheca, escreveu-me anos atrás Bem-vindo ao Brasil quando aportei em terras brasileiras. Eu comentei que, para tanto, seria preciso que ele também estivesse no Brasil e lá me encontrasse. Hoje recebi uma mensagem no Whatsapp de um amigo, falante nativo de português, que está no Brasil, que escreveu: Bem-vindo a Czech Republic. Não sei por que escreveu Czech Republic em inglês, mas esse é outro assunto. Eu acho estranha essa formulação, já que ele não está na República Tcheca. Será que estou desatualizado e bem-vindo a X simplesmente se transformou numa fórmula de cortesia que se usa independentemente de onde estejam emissor e ouvinte?

Monday, August 8, 2016

O mesmo solicitação

Recebemos sua solicitação, e mesmo já foi cancelada.

Atenciosamente


Pode não parecer, mas foi um falante nativo que redigiu a frase acima, que recebi por correio eletrônico. O que explicaria tal ocorrência?

Saturday, August 6, 2016

Frigor bar

Li hoje numa parede, entre os acessórios de um hotel, frigor bar. Fiquei pensando se não foi distração do pintor, pois nunca ouvi esse jeito de falar. Vejo, no entanto, que na internet essa grafia aparece várias vezes. Será que quem escreve assim o faz para compensar o r que a maioria (todos?) dos brasileiros não pronuncia nos infinitivos na fala espontânea, ou será que é por associação com palavras como ardor, rigor, fragor, dor, cor, etc.? Note-se que, oficialmente, a grafia é frigobar, sem espaço.

Thursday, August 4, 2016

Falar bonito

Precisa-se de operador de lavagem automotiva.

Não se trata simplesmente dum lavador de carros?

Sunday, July 24, 2016

Equívocos em Não é errado falar assim

Como nem eu nem minha mulher não encontramos o endereço eletrônico do professor Marcos Bagno para que eu pudesse enviar-lhe alguns comentários ao que escreve no seu livro Não é errado falar assim, resolvi incluí-los aqui na esperança de que um dia o autor os veja e corrija algumas informações a respeito de certas línguas que aparecem em sua obra.

1.Menciona-se que o húngaro não tem pronome de terceira pessoa:
Na verdade, o que ocorre é que um único pronome, ő, singular, pode ser masculino ou feminino, mas como se vê, ele está vivinho da Silva. Seu plural é ők, que também pode ser masculino ou feminino.

2.Diz-se que a ordem da língua húngara é SOV, ou seja, sujeito-objeto-verbo:
Essa ordem é muito comum, mas a língua húngara tem uma ordem de palavras extremamente flexível. Afirma-se que o verbo se põe imediatamente antes do elemento que se quer enfatizar. Para mostrar como é flexível, alguns exemplos reais, com o verbo em negrito, seguido da respectiva tradução:
Napra pontosan öt évvel ezelőtt, 2011. július 22-én Norvégia örökre megváltozott
Hoje exatamente cinco dias atrás, em 22 de julho de 2011, a Noruega mudou para sempre.

A tömeggyilkosság sokkolta az országot, de másfél évvel később a norvég emberek már a borzalmakon felülemelkedve tudtak beszélni a szörnyű eseményről.
A carnificina chocou o país, mas um ano e meio depois o povo norueguês, tendo superado os horrores, já conseguia falar sobre o terrível caso.

Oslóban ezen a napon kezdtem el 100 napig tartó, hét országot érintő északi körutamat, aminek célja, hogy a magyar embereket jobban megismertessem Európa e távoli vidékének életével.
Nesse dia em Oslo comecei um percurso de 100 dias que passaria por sete países cujo objetivo seria mostrar melhor aos húngaros a Europa e a vida desse local remoto.

3.Jeder traduzido como aquele:
A intenção do autor foi grafar jener, jene, jenes, com n, para indicar aquele(a/es/as), não jeder, jede, jedes, que significa cada.

4.As línguas eslavas não têm artigo:
De fato, a maioria não tem, mas há duas que são exceção: macedônio (ou macedônico) e búlgaro. Em ambas as línguas, livro, por exemplo, se diz kniga (escrito em alfabeto cirílico); já knigata, com o artigo posposto, significa o livro. Knigi é livros e knigite é os livros, novamente com o artigo posposto, da mesma forma que o romeno e as línguas escandinavas.





Friday, July 22, 2016

Frituras


Sujeitos sensíveis, modernos, sedutores e, no frigir dos bolinhos, tão egoístas como costumam ser aqueles que estão se afogando.

Até então só conhecia no frigir dos ovos. Vejo que a maioria devastadora das ocorrências dessa nova expressão na internet é desse mesmo autor. Parece que quer popularizar a novidade (será invenção dele?), que a julga engraçada ou sei lá o quê. Os únicos seguidores que recrutou parece serem este e este. Este já foi além: além dos bolinhos, frigiu também as batatas.

Wednesday, July 20, 2016

Filosofando sobre filósofos

Será que nós, com todas as nossas ideias mirabolantes de como o “mundo melhor” deve ser, seremos capaz de fazer o mesmo para nossos descendentes?

Será que capaz, com o som de s no final (ch em algumas regiões), é plural de capá?

E a crença na sociedade de mercado se deve a percepção de que o comércio é uma atividade ancestral na vida humana e responsável pelo enriquecimento da humanidade nos últimos 250 anos. Com o comércio vem ideias, dinheiro, oportunidades, tolerância cultural.
Negritos meus. Vê-se que nem um reputado filósofo brasileiro sabe português. Quem será que sabe então?

Por isso a esquerda fez a guerrilha para levar o Brasil pra uma ditadura de esquerda em meio a guerra fria

Mais uma vez a falta de acento indicador de crase. Como escrevi em outra ocasião no blogue, é possível que muitos achem que a crase foi eliminada com o Acordo Ortográfico.

E seria melhor grafar Guerra Fria com maiúsculas. Como o Acordo de 1990 não contempla o caso, penso que não se revogou o estipulado pelo Acordo de 1943, seguido até então no Brasil: 10º - Nos nomes de fatos históricos e importantes, de atos solenes e de grandes empreendimentos públicos: Centenário da Independência do Brasil, Descobrimento da América, Questão Religiosa, Reforma Ortográfica, Acordo Luso-Brasileiro, Exposição Nacional, Festa das Mães, Dia do Município, Glorificação da Língua Portuguesa, etc. Observação - Os nomes das festas pagãs ou populares escrevem-se com inicial minúscula: carnaval, entrudo, saturnais, etc.


Monday, July 18, 2016

Trandafir

Romanian is the only Indo-European language I am aware of that doesn't normally use a cognate for rose to name that flower, but uses trandafir instead, from modern Greek meaning thirty leaves. This dictionary presents two cognates, but labels them regional or archaic. Even two non-Indo-European languages like Finnish and Hungarian use something similar to rose.

Saturday, July 9, 2016

Lheísmo e outros probleminhas em tradução de entrevista

Vocês todos têm sangue em suas mãos. E, se essa foto lhe ofende, você também tem sangue em suas mãos”.

Nem tradução escapa ao lheísmo! Prefiro até a mistura de te com você (se essa foto te ofende, você tem...) do que esse uso do lhe como objeto direto. Se não quer misturar os pronomes, então: Se essa foto o ofende/ofende você, você também...

A jornalista é lheísta inveterada mesmo. No mesmo artigo lê-se: O que lhe motivou a publicar a foto com você e seus amigos vestidos como drag depois do ataque em Orlando?

Continuando: “Queers árabes enfrentam uma luta dupla: enquanto nós lutamos contra as forças opressivas dentro de nossas próprias comunidades"

Duvido que a maioria dos brasileiros saiba o que são queers. Nem têm a obrigação de saber. Não é palavra da língua portuguesa. Se ficou conhecido estes últimos sete anos que moro fora do país, não sei dizer. Queers são gays, homossexuais e quejandos. Bom, parece que não é tão desconhecido assim. Consta do Dicionário Informal.

Tradução malfeita na minha opinião: E, quando fui para o Canadá, para estudar na universidade, pensei que seria a chance de explorar minha sexualidade. Quem diz estudar na universidade? Sugiro: Quando fui fazer faculdade no Canadá, pensei...

Deixei escapar uma vez, mas desta vez não passa: A internet ainda não era o que é agora, em termos de ser um ponto de encontro e contato, então muito disso acontecia em alguns cafés e bares. Em termos de ser acho bem pouco português. Sugiro: A internet ainda não era o que é agora, um ponto de encontro... Muito mais simples, não?

Parece que não é tão inveterada assim: O senhor começou trabalhando na área de ajuda humanitária. O que o levou a escrever Guapa?

O que será que a faz escolher entre o e lhe? A direção do vento?

Mas respeito aqueles que consideram que sair do armário [sobre sua orientação sexual] não é algo que necessariamente queiram fazer. É necessário que haja respeito para as diferentes opiniões.

Obrigado pelo adendo entre colchetes! Sem ele eu teria entendido que a maioria é masoquista e prefere ficar no armário, em companhia de roupas e traças, na escuridão e sem ar.

Temos ditaduras militares, o controle dos direitos sobre os corpos e sobre a liberdade sexual.

Que corpos? Imagino que seja o próprio. Por que esse plural?





Thursday, July 7, 2016

Celebrizar

Descobri recentemente o verbo celebrizar:

n verbo
 transitivo direto e pronominal
1    tornar(-se) célebre, ilustre; distinguir(-se), notabilizar(-se)
Exs.: tinha o mesmo talento que celebrizou Paganini
 celebrizou-se após o concerto de estreia
 transitivo direto
2    realizar cerimônia de evocação de (fato, acontecimento, pessoa); celebrar, comemorar
Ex.: celebrizaram o noivado com grande pompa

O Houaiss 2009 data-o de 1836. Há muitos exemplos de uso no Córpus do Português e no Google Livros.

Não encontrei cognato em nenhuma língua latina. Apenas em francês há menção dele nesta obra de 1801, onde aparece qualificado como neologismo. Em pleno século XXI não encontro o tal neologismo de dois séculos atrás registrado em nenhum destes dicionários. Talvez a palavra não tenha tido muito êxito em francês. Traduzindo os exemplos do livro: O mais insignificante dos jornalistas crê celebrizar o mais obscuro autor ao qual faz elogios. É a mania dos nossos escultores de celebrizar tal ou tal cabeça, que deve pertencer a um general ou a um histrião. Note-se que este uso de célébriser só corresponde à acepção 1 do dicionário Houaiss, não à 2.

Tuesday, July 5, 2016

Frescura

Escolher o idioma me ajuda a tratar o tema com maior frescura e mais liberdade também.

Errado não é, mas acho que no Brasil de atualmente seria muito mais comum aí o termo frescor. Frescura muitas vezes tem conotação negativa. O fato de a entrevistada ser mexicana com certeza contribuiu para a manutenção dessa palavra, já que em espanhol é sempre frescura.

Sunday, July 3, 2016

Anglicanismos

Apesar do estereótipo de que os franceses se coíbem de falar inglês, muitos jovens franceses querem melhorar as suas competências e adotaram muitos anglicanismos na linguagem do dia-a-dia.

Neste caso, anglicismos, não anglicanismos. E dia-a-dia perdeu os hifens/hífenes, mas a verdade é que não sei se este portal segue ou não o Acordo. Se procede da mesma forma que o canal televisivo RTP, então o segue e deveria grafar dia a dia.

Wednesday, June 29, 2016

Constructions with relative pronoun whose

Romanian is the only language I know that has crossed agreement when it comes to the whose construction. Other languages either make the pronoun agree with the possessed (Portuguese, Spanish, Italian...) or with the antecedent (Slavic and Germanic languages):


Some Romance languages:
Portuguese: O homem cuja filha trabalha com meu pai é estrangeiro.
Spanish: El hombre cuya hija trabaja con mi padre es extranjero.


Some Slavic languages:
Czech: Muž, jehož dcera pracuje s mým otcem, je cizinec.
Slovak: Muž, ktorého dcéra pracuje s mojím otcom, je cudzinec.
Polish: Mężczyzna, którego córka pracuje z moim ojcem, jest obcokrajowcem.

Some Germanic languages:
English: The man whose daughter works with my father is a foreigner.
German: Der Mann, dessen Tochter mit meinem Vater arbeitet, ist ein Ausländer.
Dutch: De man wiens dochter met mijn vader werkt, is een vreemdeling.
Swedish: Mannen vars dotter arbetar med min far är en utlänning.

But in Romanian:
Bărbatul a cărui fată lucrează cu tatăl meu este străin.
Where a agrees with a term not immediately after it, fată, a feminine noun, and cărui agrees with bărbatul, a masculine noun, also not immediately before it.

It is somewhat akin to Italian
Italian: L'uomo la cui figlia lavora con mio padre è straniero. 
where the relative pronoun cui must be preceded by an article that agrees with the noun that comes later.

French has it easier:
L'homme dont la fille travaille avec mon père est étranger.
Where dont is invariable.

Monday, June 20, 2016

Poecilonym

I have just learned that a poecilonym is the same thing as synonym. Unfortunately I haven't found a cognate in any Romance language, pecilonimo?, pecilónimo?, maybe because the word doesn't come to us directly from Ancient Greek (its first documented use is from 1890, as the source states) and it was probably coined by an English speaker.

Thursday, June 16, 2016

Empinar matéria

e isso não passa por empinar matéria mas por garantir que seguem o caminho correto e são capazes de procurar as ferramentas necessárias para obter os melhores resultados. 

Empinar matéria, em Portugal, pelo que entendi desta explicação, significa decorar, memorizar, saber de cor e salteado. No meu tempo de escola dizíamos, no interior de São Paulo, rachar de estudar.

Tuesday, June 14, 2016

Pěkně

Ten orloj je teda pěkně divný nanuk. - (Wow.) This clock is a pretty funny/weird popsicle.

It is an advertisement seen at Brno streetcar/tram stops. They are probably referring to this. What caught my attention is the use of pěkně, "pretty", adverb form of pěkný. It works the same way as pretty before an adjective in (American) English. I can't think of any other language that allows this adverbial use of pretty.

Sunday, June 12, 2016

Já jedím

I really enjoy talking to the neighbors' children, whose ages range from 3 to 6, one of the reasons being I like to pay attention to their use of Czech to see how their language proficiency is faring and what mistakes they make. Czech kids have a much better command of language than their Brazilian peers, many (most?) of whom talk funny until they start school (and some of them even after that). Yesterday, talking to a 3-year-old neighbor kid, I said oni jedí (they eat) and a few seconds later she came up with já jedím (I eat, correctly: já jím). It makes sense: if oni mluví (they speak) and já mluvím (I speak), oni zdobí (they decorate) and já zdobím (i decorate, then oni jedí, já jedím) My wife thinks I threw her off because she may be more accustomed to nonstandard oni jí.

Friday, June 10, 2016

São precisos esperar

"Os tratamentos duram três a seis meses e são precisos esperar mais três [após o fim da medicação] para ter o resultado final. 

Não, três (meses) não é o sujeito da oração, é objeto do verbo esperar, que, por sua vez, é o sujeito, portanto: Os tratamentos duram três a seis meses e é preciso esperar mais três...

Wednesday, June 8, 2016

The dead die, and unnecessarily

Seen in a Czech weekly magazine:

V Česku každoročně umírá zbytečně 40 procent zemřelých - tedy více než 18 tisíc lidí.

In the Czech Republic 40% of dead people die unnecessarily every year, that is, more than 18,000 people.


Sunday, June 5, 2016

MHD in English

Seen in the town of Olomouc: I MHD, and you? MHD makes no sense to someone who doesn't speak Czech. MHD is an acronym for městská hromadná doprava, literally urban mass transit.

Wednesday, June 1, 2016

English made in Finland

My wife and I have recently returned from Finland. Most Finns speak excellent English, but there was somebody, our 50-odd year old guide around the fortress of Suomenlinna, carrying a name tag with the flags of England, Sweden and Finland, who sometimes left a little to be desired. It was easy to understand her and she was knowledgeable about Finnish history and the surroundings of the castle, but she made up a lot of words, like old-fashionable. For her ships can swim. Her pronunciation was also off sometimes: she repeatedly pronounced area as uh-REE-uh and archipelago as Ahr-kuh-puh-LAH-go. She produced They usually never fought in winter. An example of a messup with verb tenses: In the 19th century this fortress has been.... But the most interesting things were the nonexistent English words. If I didn't speak other languages, I might have not understood her. She mentioned Helsinkians pendling between the city and the island. She meant commuting. German has pendeln, Swedish has pendla, and Czech has pendlovat for that meaning. Once, describing, I suppose, some sort of rod, stick or stake, she called it a slag (I know, this is a word, but it is not what she meant). I associated it with German schlagen and Swedish slå, "to strike, to pound, to hit". There were also rooting (at least it sounded like this) soldiers. I think she meant some sort of amateur soldiers, islanders who defended the fortress even though they had never been trained to bear arms.

Monday, May 2, 2016

O voto que duraram

Aqueles 56 segundos que duraram o voto de Bolsonaro mexeram com Dilma, e foram necessários alguns minutos para que as conversas voltassem a fluir entre ela e os convidados.

Do jeito que está escrito, parece que 56 segundos é sujeito da frase e o voto é objeto dela. Na verdade, o voto que é o sujeito, portanto, 56 segundos que durou o voto/que o voto durou.

Tuesday, April 26, 2016

Supraponderal

Descobri há uns dias esta palavra em romeno. Achei muito chique. Neste artigo explicam que os médicos consideram uma pessoa supraponderal quando tem peso de 10% a 20% superior ao normal. Poderíamos usá-la em português também: Não, não sou gordo, sou supraponderal. Do latim supra (acima de, sobre) + ponderalis, de pondus, ponderis (peso). É interessante que ponderal sim está registrado em português como relativo a peso. Para supraponderal é um pulinho.

Friday, April 22, 2016

E a crase?

Esta construção passa por uma sólida rede de pesquisadores (as (sic) vezes, mesmo financiada por grandes bancos nacionais)

E sem essa raiz, ele será uma coisa de domingo a (sic) tarde.  

Tenho lido textos razoavelmente bem escritos e revisado traduções (ruins, na sua maioria) em que não se indica a crase por meio do acento grave. Às (crase) vezes tenho a impressão de que algumas pessoas devem achar que o Acordo Ortográfico eliminou o uso do acento grave indicador de crase (fusão de dois aa). Não é assim. Ele não mexeu nem um pouco nessa questão.

Monday, April 18, 2016

Habían huellas

en la arena habían huellas de herraduras sulla sabbia c'erano tracce di ferri di cavallo (there were horseshoe prints in the sand)  The misuse of the verb haber in the plural is so widespread in Spanish (also in Portuguese with the verb haver) that even a Spanish-Italian dictionary has it.

Friday, April 15, 2016

Tax haven/paraíso fiscal

Um amigo quer saber a minha opinião sobre a seguinte afirmação:

O primeiro que deve ser dito é que a denominação"paraíso fiscal" surge de uma má tradução. Em inglês, o termo tax haven não significa "paraíso fiscal" (teria de ser tax heaven para ter esse significado), mas sim "refúgio fiscal".  Essa tradução explica com maiorrealismo o que ele verdadeiramente é: um refúgio fiscal, ou seja, um país paraonde várias pessoas mandam seus proventos a fim de escapar da voracidade fiscalde seus governos.

Talvez, mas se houve um erro, todas as demais línguas também erraram (e quem traduziu de quem? quem originou o erro?), já que se vê paraíso fiscal em português/espanhol, paradiso fiscale em italiano, paradis fiscal em francês/romeno, paradís fiscal em catalão, daňový ráj em tcheco, daňový raj em eslovaco, raj podatkowy em polonês, belastingparadijs em holandês, adóparadicsom em húngaro, veroparatiisi em finlandês, vergi cennet em turco e φορολογικός παράδεισος (forologikós parádeisos) em grego, por exemplo. Só esloveno e alemão parecem ter optado por oásis: davčna oaza/Steueroase, mas em alemão também existe, ainda que menos usado, com base numa pesquisa no jornal www.diewelt.de, Steuerparadies. 

Também não se entende por que o autor do texto optou por traduzir haven por refúgio. Há mais duas acepções registradas para essa palavra no dicionário www.merriam-webster.com: haven, port (ou, seja, porto) e a place offering favorable opportunities or conditions (lugar que oferece oportunidades ou condições favoráveis). Julgo que esta última acepção se afigura mais próxima do que se pretende com paraísos fiscais, lugares que oferecem oportunidades ou condições favoráveis para baixos impostos ou mesmo sua isenção. Isto, na minha opinião, não é muito diferente de uma das acepções de paraíso segundo o dicionário Houaiss: lugar em que reina a felicidade; céu; qualquer lugar agradável e prazeroso; éden.

Outras pessoas que implicaram com a expressão: aqui (em italiano) e aqui (em francês)

Friday, April 8, 2016

Layer, player e game

"É um novo layer de comunicação", disse o diretor Tadeu Jungle, que coordenou o debate.

Essa é de matar, não é? Tudo bem que faz anos que não moro no Brasil, mas duvido que a maioria dos brasileiros saiba o que é isso. Nível, estilo, camada, estrato, tipo ou modalidade são palavras muito inferiores a layer, não são? Esta é tão mágica, tão linda, tão indispensável, tão intraduzível!

demonstrado por diferentes players, incluindo gigantes da TI,

Players? Participantes, interessados ou intervenientes não bastam? Não posso nem mais ler em português? Se quero ver palavras inglesas, leio direto em inglês, e com certeza num inglês bem superior a este de jacu.

Eis a fronteira mais avançada da VR, e em tese deve ser puxada por quem usa recursos de computação gráfica, capazes de responder às interações, como os games.

E jogo entrou em extinção?

Tuesday, April 5, 2016

Fazer dinheiro

 Produtores de conteúdo desse tipo também podem migrar para outros meios, fazendo campanhas publicitárias, lançando livros e atuando no teatro. Assim, podem fazer mais dinheiro.

Estou vendo com cada vez mais frequente fazer dinheiro em textos escritos em português (se é atualmente usado na fala, não sei, não moro mais no Brasil) em vez de ganhar dinheiro. Sempre achei que fosse tradução do inglês to make money, ou por macacagem deslavada ou para referir que o dinheiro ganho é por meios fortuitos, já o feito é por inteligência, por esforço próprio. Eu, entretanto, quando vejo fazer dinheiro, imagino alguém a produzir dinheiro em casa numa máquina de fazer dinheiro. Embora o inglês possivelmente tenha ajudado a popularizar a expressão, encontrei no Córpus do Português um exemplo do século XVII do padre Antônio Vieira: porque entendo que bastarão estes penhores para sobre eles, enquanto não faz dinheiro, nos fiarem o que eles valerem. Há vários exemplos do século XIX. Parece que vou ter de me acostumar.

Sunday, April 3, 2016

Coiote

Todas as noites, os coiotes ficam na frente da mesquita no bairro de Basmane e saem com famílias carregando suas roupas e pertences em sacos plásticos pretos e o dinheiro e os celulares dentro de bexigas, que amarram no braço. 

Interessante como os brasileiros aprenderam com os mexicanos/americanos a palavra coiote para se referir aos contrabandistas de pessoas na fronteira entre o México e os Estados Unidos e agora a aplicam para tais profissionais em outras partes do mundo (neste caso, na Turquia). Não achei uma explicação sobre a origem do termo, mas talvez o nome coiote (em inglês/espanhol coyote) se deva aos coiotes se locomoverem livremente entre o norte do México e o sul dos Estados Unidos.

Friday, April 1, 2016

Tatoo

(Adoro ver tatoos, mas não tenho nenhuma, acho que dói!)

Tatoo (sic), ainda mais em boca de brasileiro, para mim é um animal. Se é para se mostrar escrevendo em inglês, por que não fazê-lo corretamente, com dois tt: tattoo?

Wednesday, March 30, 2016

Água-doce

Por que será que o livro de português para estrangeiros Avenida Brasil, volume 2, escreve água doce com hífen? Não encontro essa grafia em dicionário nenhum nem lhe vejo sentido. Será que os autores acham que água doce é água onde alguém pôs açúcar propositadamente (ou seja, água com açúcar, ou água d'açúcar, como vi várias vezes num romance cabo-verdiano) e água-doce é a água dos rios? Seguindo essa "lógica", eles então escreveriam água-salgada para se referir à água dos mares. 

Monday, March 28, 2016

Vem em vez de vêm

Vem dele os textos que compõem o livro homônimo, lançado no Brasil em fevereiro, pela Biblioteca Azul. 

Alguém precisa aprender a diferença entre vem e vêm e pode aproveitar para estudar tem e têm e e vêem (veem na nova ortografia).

Saturday, March 26, 2016

No seu cabelo

Não são apenas os olhos bonitos ou as mãos que mexem no seu cabelo. Você não quer [que] o momento acabe!  

Não está claro se a pessoa mexe no próprio cabelo ou no do interlocutor/leitor. Como é mais provável que seja no próprio, não há motivo nenhum para esse seu. O português vira-se muito bem apenas com o artigo definido (mexem no cabelo) quando se trata de partes do corpo sem precisar de possessivo nenhum, diferentemente do inglês e do francês, só para citar duas línguas mais conhecidas.

Tuesday, March 22, 2016

Jipka

I have seen at the Prague metro station an advertisement for a language school called Jipka. One of their ads states Díky Jipce mluvím anglicky bez obavy. Am I the only one who thinks Jipka is not a great name for a language school, because it is also a colloquial acronym for jednotka intenzivní péče (intensive care unit)? Is the little girl not afraid to speak English thanks to the language school or to a miraculous hospital stay that taught her English? :) 

Sunday, March 20, 2016

Se quiserem o derrotar

Lula afirmou também que se quiserem o derrotar, terão de o "enfrentar nas ruas desse país". 

Muito estranha esta colocação pronominal. Nunca li nem ouvi semelhante coisa. O mais comum é se quiserem derrotá-lo, ou, na fala de muita gente, se quiserem derrotar ele, mas se quiserem o derrotar é uma construção alienígena.

Terão de o enfrentar é correto, mas muito mais comum em Portugal do que no Brasil. 

Friday, March 18, 2016

Vem de publicar

O próprio Ministério das Cidades vem de publicar um balanço desanimador sobre as condições sanitárias do país.

Não sei o que é vem de publicar em português. Será que significa acabou de publicar? Em francês existe vient de publier com esse sentido. Talvez seja isso.

Wednesday, March 16, 2016

Monday, March 14, 2016

How do you say tadpole in Slovak?

I've recently seen a newspaper ad for a Slovak course for Czech speakers. As the two languages are extremely close, I doubt that many Czechs are interested in studying Slovak. Anyway, the ad asked about a word that is usually not known to Czechs. Jak se říká slovensky pulec? (How do you say tadpole in Slovak?) Three options were given: puliec, žubriä and žubrienka. Neither puliec nor žubriä exists, the correct answer is žubrienka (which can also refer to a child). Now, if I were a Czech who would like to speak Slovak, pulec (tadpole) would not be on my list of priorities of words to know, as how many times in your lifetime do you have to refer to it? I would have chosen a more practical word that would befuddle Czechs, such as Jak se říká slovensky inkoust? (How do you say ink in Slovak?) The answer, by the way, is atrament (also found in Polish, from Latin atramentum).

Saturday, March 12, 2016

Tem recall

Lula, obviamente, ainda está longe disso. Mantém muito de seu status mítico dentro do partido. Tem recall, carisma e dois mandatos que nem os opositores mais ferozes negam que tenham sido bem-sucedidos. 

Até então só tinha visto recall em português para falar de recolha de algum produto defeituoso, sobretudo automóveis. Lula tem recall? Suponho que signifique algo como ter marcado as pessoas, ser facilmente lembrado, ter uma cara facilmente identificada, etc. No entanto, nem em inglês, pelo que sei, existe tal uso. Procurei Obama has recall, Einstein has recall e Churchill has recall e não achei absolutamente nada.

Thursday, March 10, 2016

Antelucano

Por intemédio do italiano, aprendi este belo adjetivo:

antelucano
n adjetivo
Estatística: pouco usado.
feito de madrugada, antes da luz do dia
(Houaiss 2009)

Exemplos literários:

Contra esta miseravel intelligencia digo, que depois do relativo, com que começa a primeira destas estancias; todo o residuo della he um parenthesis em que o Poeta nos diz (sendo a palavra Conquistado annexa a o que se lhe segue) que sem perder hum momento todas as noites desde o principio dellas (que he quando a lux clara foge, e as estrellas sahem) athe o ultimo tempo antelucano (que he, quando cahem, convidando a repouso) andava El Rey Dom Manoel lidando constantemente com os pensamentos generosos de procurar o augmento da sua monarchia, como todo senhoreado e conquistado delles.

E sobre aquellas censuras, a que responde, digo, que o Critico, que as fez, parece, que sonhava, quando escrevia tantos, e taõ intoleraveis absurdos. Ultimamente veio Joaõ Franco Barreto a persuadir no livro, que injustamente intitulou Orthografia Porugueza, que o Poeta sò quiz significar o tempo antelucano; porque esse he o que foge a o diluculo, ou crepusculo matutino, que entende por lux clara; e que isto mostraõ as palavras

Retirados do Córpus do Português. Ambos os exemplos, do século XVIII, provêm do mesmo autor, José de Macedo (assinado por António Melo da Fonseca), que parecia ter predileção por essa palavra.

Uma procura no Google Livros corrobora a informação do Houaiss sobre a raridade da palavra. Praticamente só se veem ocorrências em latim e em italiano.

Tuesday, March 8, 2016

Grafia do inglês na Wikipédia

Vejo que não é só o português que anda misturado na Wikipédia. O mesmo acontece com o inglês. Na versão em inglês do artigo sobre Charles Perrault lê-se theatre (grafia britânica; grafia americana: theater, embora às vezes se veja theatre nos Estados Unidos em nomes próprios, possivelmente para dar ares de requinte do Velho Mundo) e linhas depois honor (grafia americana). Em seguida, aparece theater, escrito à americana. A seguir, encontramos o formato britânico de escrita de datas: 12 January 2016 (americano: January 12, 2016), seguido, por fim, da grafia britânica honour.

Sunday, March 6, 2016

Língua portuguesa na Wikipédia

É interessante notar como as bases ortográficas (e não só) em uso na Wikipédia em português variam no mesmo artigo, possivelmente por ter sido escrito por pessoas diferentes, de países diferentes. Por exemplo, neste texto sobre Charles Perrault, vê-se a grafia gênero da norma brasileira, seguida do uso abundante de artigos definidos antes de possessivos, mais característico de Portugal do que do Brasil: completou os seus estudos sozinho/Dá início aos seus estudos em 1637/O seu irmão Claude Perrault tornou-se um reconhecido arquitecto. A última palavra do exemplo anterior mostra que o autor do fragmento se guiou pelo Acordo Ortográfico de 1945, seguido em Portugal e nos países lusófonos da África, mas não no Brasil, que antes do AO90 seguia a ortografia de 1943. Segundo o Acordo Ortográfico de 1990, escreve-se arquiteto em toda a lusofonia por o c há tempos não ser pronunciado. Novamente lê-se cerimónia à portuguesa (cerimônia no Brasil) e em seguida vê-se outro uso brasileiro (de seu século em vez do preferido em Portugal do seu século) e encerra-se o ciclo novamente com a palavra gênero à brasileira (é género à portuguesa).

Friday, March 4, 2016

Fotos que emergem

"Foi dito que as fotos suas que emergiram alguns dias após sua morte teriam sido de suas últimas semanas de vida.

Outra tradução malfeita. Apesar de o dicionário Houaiss 2009 definir emergir assim

n verbo
 transitivo direto e intransitivo
1    trazer ou vir à tona
Exs.: guindastes especiais fizeram e. o avião desaparecido
 com a seca nos açudes, as cidades cobertas pelas águas emergem
 intransitivo
2    tornar-se claro ou compreensível; aparecer, expressar-se, manifestar-se
Ex.: finalmente, as razões da inexplicável renúncia emergiram

para mim, as fotos só emergeriam se estivessem imersas ou submersas (na água). O mais natural em português, indubitavelmente, seria fotos suas que descobriram/que foram descobertas/que aparecem/que encontraram/que foram encontradas, entre outras opções.

Saturday, February 27, 2016

Autogramiáda

Autogramiáda is one of my favorite Czech (also Slovak) words because of its conciseness. Other languages need circumlocutions like autograph/signing session, sessão/noite de autógrafos, Autogrammstunde, séance d'autographes, etc. Czech expresses it with one single word, made up of autogram, autograph, +suffix iáda, the same you find in olympiáda, the Olympiad, the Olympic games.

Sunday, February 21, 2016

Comparing Finnish and Hungarian

I've started studying Finnish prior to a visit to the country in the near future. Here I will compare Finnish and Hungarian structures, as they are both Finno-Ugric languages, albeit distant.

Both languages make abundant uses of suffixes, but Hungarian only adds a suffix to the last word of a phrase, as in:

My Brazilian friend lives in a big house.
Hungarian: A brazil barátom egy nagy házban lakik.
Finnish: Brasilialainen ystäväni asuu suuressa talossa.
Finnish, unlike Hungarian, has no articles. The Hungarian definite article is a (az before vowels). The words egy, indefinite article, and nagy, big, have no case endings, but suuri, big, does in Finnish, agreeing with talo, house, under the form talossa. Both Finnish and Hungarin use a suffix for possession. In this case, om in Hungarian and ni in Finnish to indicate my. Finnish verbs usually go after subjects, whereas Hungarian ones are very often at the end of sentences. They stress the item that is right before them.


My brother's son is sleeping in our room.
Hungarian: A bátyám fia a szobánkban alszik.
Finnish: Veljeni poika nukkuu huoneessamme.
Hungarian does not have a progressive form, Finnish does, albeit optional, as far as I know. In our room is expressed in Hungarian as article+noun+possessive suffix+locative suffix, whereas Finnish switches the last two elements: noun+locative suffix+possessive suffix. A bátyám fia also has an interesting structure: The brother+my+son+his, i.e, My brother his son, not unlike Dutch mijn broer z'n zoon (or, more commonly: mijn broers zoon).

My wife doesn't speak Russian.
Hungarian: A feleségem nem beszél oroszul.
Finnish: Vaimoni ei puhu venäjää.
Finnish has a way to conjugate negations: She speaks - Hän puhuu. She doesn't speak - Hän ei puhu. Ei indicates it is third person singular. In this case, the Hungarian negative adverb nem requires the verb to be right after it. Oroszul is an adverb (as with Slavic languages: česky, po-russki, po slovensky, po polsku, etc.), whereas Finnish uses a noun in the partitive, the case used in negations.

My mother has three cats.
Hungarian: Az anyámnak három macskája van.
Finnish: Äidilläni on kolme kissaa.
Hungarian numbers require the noun to remain in the singular; Finnish numbers require the partitive, the a in the word kissa, cat. Neither Hungarian nor Finnish has a construction similar to English have. Both languages express it roughly as To someone (Hungarian) or On someone (Finnish) is something. Hungarian also requires the thing possessed to be in the possessive case, as if saying To the my mother is her three cat. Finnish only adds a suffix to the possessor. In both languages a singular verb is used.

Both languages have vowel harmony:
Hungarian: az asztal-on (on the table), a számítógép-en (on the computer).
Finnish: pöydä-llä* (on the table), tietokonee-lla (on the computer).
Hyphens are not used. Here their functions is only to show suffixes.
*Table is actually pöytä, with a T, but the sound change is something I won't address right now.

I hope I can come up with more interesting examples in the future.

 




Saturday, February 20, 2016

Até que + futuro do subjuntivo

E assim, até que esta quarta-feria de cinzas (sic) tiver passado, no velho ritmo de “me dá um dinheiro aí”, o governo federal vai tentar ressucitar a impopularíssima CPMF. 

Deve ter sido por cruzamento sintático com assim que: assim que esta Quarta-Feira de Cinzas tiver passado. Com até que, o normal é o presente do subjuntivo: até que esta Quarta-Feira de Cinzas tenha passado.

Thursday, February 18, 2016

De acordo a

De acordo a Euromonitor International 

De acordo a? Mais um anglicismo (according to) ou erro de digitação. Novidade para mim em português. Em espanhol tenho visto de acuerdo a, mas a Real Academia Española diz que de acuerdo con é preferível.

Tuesday, February 16, 2016

O ovo ou a galinha?

À bonança financeira da era Lula, seguiu-se à crise institucional, agravada pela queda do valor do petróleo.

E aí? O que seguiu o que? Qual é o sujeito? Pela formulação não dá para saber, só o nosso conhecimento do mundo nos indica que deveria ser À bonança financeira da era Lula (sem vírgula) seguiu-se a (sem acento) crise institucional..., ou seja, primeiro tivemos a bonança financeira, depois a crise institucional.

Sunday, February 14, 2016

Passanderia

Precisava de um termo que equivalesse, numa tradução que estou fazendo, ao alemão Plättanstalt, de plätten, passar roupa, e Anstalt, estabelecimento, instituição. Não é que encontrei passanderia? Na internet encontram-se várias com um nome próprio seguido da especificação lavanderia e passanderia. Esperava algo como passadaria/passaderia/passaria, mas não, é passanderia que se popularizou no Brasil, pelo menos em SP e RJ, julgando pelo endereço dos estabelecimentos. É esse termo, que não vejo em dicionário nenhum, que decidi usar na minha tradução.

Saturday, February 13, 2016

Mais uma tradução estranha

No mesmo artigo sobre o aleluia:

"Talvez vocês possam se calar enquanto tiram vocês daqui", disse.

Outro exemplo de tradução malfeita. Duvido que algum falante nativo de português se expressaria assim nessa situação. Uma possibilidade (entre dezenas de outras) seria: Será que vocês não podem ficar quietos/calar a boca enquanto são retirados daqui/tiram vocês daqui?

Friday, February 12, 2016

Posso ouvir um aleluia?

A ex-governadora exaltou o pré-candidato. "Ele ama este país, nunca pedirá desculpas por este país", afirmou. "Ele vem do setor privado, não da política. Posso ouvir um 'aleluia'?" 

Que tradução malfeita! Vejo o inglês atrás dela. Em inglês diz-se Can I hear a hallelujah? nas igrejas pentecostais, mas em português basta "Aleluia" ou "Amém, irmãos?". Curiosidade: normalmente ámen em Portugal.

Thursday, February 11, 2016

Tríplexes

Questionado durante a entrevista coletiva, na manhã desta quarta, se a Procuradoria tem elementos que apontem a ligação de Lula com um dos tríplexes, ele disse que existem indícios e notícias sobre isso. 

Tríplexes? O povo parece que tem estudado muito inglês, mas de português não sabe nada. Desde quando palavra paroxítona terminada em -x (ou -s) tem o sufixo -es no plural? O tríplex, os tríplex. A mesma coisa com o lápis, os lápis, o pires, os pires (ninguém diz lápises ou píreses). Tríplexes é até meio difícil de pronunciar.

Tuesday, February 9, 2016

Criações "freibettianas"

Ele prefere usar a palavra transvivivenciar para se referir à morte, e ao ser questionado sobre qual título daria para seu obituário, responde: “Transvivenciou um peregrino de Deus que viajava a bordo de um paradoxo”.

Qual é o principal problema filosófico dos nossos tempos? (ou um deles pelo menos)
A desistorização do tempo. Devido ao neoliberalismo, estamos perdendo a consciência do tempo como história. Tudo é aqui e agora…

Fui até ver se há outras pessoas que usam esses neologismos. Pelo que descobri na internet, são criação de Frei Betto mesmo. Se é para inventar, julgo que transviver teria sido melhor (com o substantivo transvida ou transvivência para indicar a morte), já que vivenciar, no qual se baseia transvivenciar, exige objeto direto, o que não ocorre com viver, verbo intransitivo. Quanto a desistorização, melhor seria desistoriação, derivado do verbo desistoriar, moldado no verbo historiar, este sim com tradição na língua.

Sunday, February 7, 2016

Entregar

NADANDO CONTRA A CORRENTE



Entregam menos o quê? Pizza? Mais um anglicismo semântico. Deliver em inglês de marqueteiro tem sido usado assim. Como se não fosse feio o suficiente na língua de origem, agora passaram a usá-lo fora dela também? Um bom e simples render ou cumprir (metas, obrigações...) não faz mal a ninguém.

Monday, February 1, 2016

Octagenário

Dias atrás, uma octagenária se levantou da cadeira de rodas para tocar o sino, auxiliada pela neta que a acompanhava nas sessões de tratamento. "O hospital inteiro parou para ver", diz Tonaki.

E o pior é que tenho a impressão de que não é a primeira vez que vejo octagenerário, em vez do correto octOgenário. Qual será o motivo deste erro? Deve ser por influência de palavras do mesmo campo semântico como sexagenário, se(p)tuagenário e nonagenário, todas com a vogal a antes de -genário. Essas palavras têm a porque derivam dos números latinos sexaginta, septuaginta e nonaginta (60, 70 e 90, respectivamente). Oitenta é octoginta. Essas formas explicam por que os numerais ordinais portugueses são sexagésimo, se(p)tuagésimo, octogésimo e nonagésimo.

Saturday, January 30, 2016

Ordenar a atacar

Mansur disse ter ordenado quatro atiradores a atacar a universidade como forma de se vingar da ofensiva das forças de segurança paquistanesas contra os insurgentes nos últimos meses. 

Não me lembro de ter visto esta construção: ordenar alguém a algo, só ordenar a alguém algo. Para mim seria disse ter ordenado a quatro atiradores atacar ou disse ter ordenado que quatro atirados atacassem. Deve ter havido cruzamento sintático com obrigar: disse ter obrigado quatro atiradores a atacar.

Thursday, January 28, 2016

Hype

O hype em torno da oferta de papel higiênico em tantas cores chegou também ao mundo do design e da moda

Duvido que quem não fala inglês saiba o que é hype. Acho até que muitos que falam (ou creem falar inglês) tampouco sabem do que se trata. O que há de errado com falatório, promoção, publicidade ou propaganda?

Sunday, January 24, 2016

Barriga negativa

Acabei de descobrir barriga negativa, que achei bem engraçado:

Os tão sonhados resultados da musculação —pernas grossas, barriga negativa, bumbum durinho.

Sinto dizer que a minha é bem positiva.