Word of the Day
beatitude | |
| Definition: | Supreme blessedness or happiness. |
| Synonyms: | blessedness, beatification |
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provided by The Free Dictionary
Friday, February 29, 2008
Campi
It's funny that English didn't take the Latin plural campi for campus and prefers to use campuses (at least I've never heard or read campi in English) given the English predilection for Latin and Greek plurals: bacteria, fungi, analyses, larvae, etc. I have found, though, two instances of campi in English texts on the Internet, but coincidentally both come from Portuguese-speaking environments, one Portugal and the other Brazil. I say, though, that that shouldn't be imitated, since the standard and common plural in English is campuses (and in Portuguese it is câmpus, the preferred form, and very seldom campi, as in Latin).
Tuesday, February 26, 2008
In and up
When do in and up mean the same thing? When they're in the word intake and uptake, which both mean the acting of taking in (and why not up? :)) or absorbing.
Sunday, February 24, 2008
verbum non grata
Reading this article about words used by the Nazis, I stumbled upon verbum non grata. This didn't occur to the writer of the report, but this really leaps to a speaker of a Romance language like myself. The journalist made a pun with persona non grata, which is fine, since both persona and grata agree, both being feminines. Now with verbum non grata you don't have the same accord. Verbum is a neuter word, and all modifying adjectives should agree with it, which would lead us to verbum non gratum. I don't know if the reporter wasn't aware of it since he probably never took Latin (very few do nowadays) or he thought people wouldn't associate gratum with persona non grata, but this is something that immediately draws Romance speakers' attention.
Saturday, February 16, 2008
Chocolaterapia
Não, você não leu errado, e eu também não quando o vi hoje num anúncio de uma loja. Trata-se de chocolaterapia, a sílaba te foi engolida mesmo. O engolimento dessa sílaba tem um nome: haplologia.
Entretanto, mesmo se tivessem optado por chocolateterapia, haveria um senão. A língua portuguesa, ao contrário das germânicas, não põe um substantivo na frente de outro (pelo menos não tradicionalmente) para que o da esquerda modifique o da direita. Isso é indubitavelmente uma contaminação morfológica. As palavras terminadas em terapia em português são de origem grega, em que um fenômeno parecido com o das línguas germânicas acontece, com a diferença de que o grego junta as duas palavras e a primeira delas termina em o: gastroenterologia, hidroelétrica, zoologia, fisioterapia, etc. O mais adequado teria sido terapia de/com chocolate, mas pode ser que o dono da loja não achou que esse nome pegaria e escolheu algo mais "chique".
Entretanto, mesmo se tivessem optado por chocolateterapia, haveria um senão. A língua portuguesa, ao contrário das germânicas, não põe um substantivo na frente de outro (pelo menos não tradicionalmente) para que o da esquerda modifique o da direita. Isso é indubitavelmente uma contaminação morfológica. As palavras terminadas em terapia em português são de origem grega, em que um fenômeno parecido com o das línguas germânicas acontece, com a diferença de que o grego junta as duas palavras e a primeira delas termina em o: gastroenterologia, hidroelétrica, zoologia, fisioterapia, etc. O mais adequado teria sido terapia de/com chocolate, mas pode ser que o dono da loja não achou que esse nome pegaria e escolheu algo mais "chique".
Friday, February 15, 2008
Venenum
The second declension neuter Latin noun venenum originated Portuguese and Spanish veneno, French and Romanian venin, English venom and two strange forms: Catalan verí and Italian veleno (Italian also has veneno, but it's described as poetical in dictionaries). It's interesting that the original n transformed into other consonants in the two last mentioned languages. I understand that the second n in Italian veneno caused dissimilation, meaning that it affected the previous consonant, which is also an n, but why an l was chosen instead is beyond my comprehension. A similar phenomenon could be used to explain Catalan verí, which was probably verin and earlier venin centuries ago, and since Catalan is not so fond of final nasal consonants, that n, before it caused the dissimilation of the first n, was eliminated. What I can see is that both l in Italian veleno and r in Catalan verí are liquid consonants, so maybe that would be the beginning of a possible explanation for the current state of things.
Thursday, February 14, 2008
Bixo (sic)
Por que será que as pessoas insistem em grafar bicho como novato, calouro com x? O pior é que não são pessoas ignorantes que o fazem, são os próprios universitários, que, espera-se, para chegar à universidade, foram bem alfabetizados. Não vale o argumento de que assim se diferencia bixo (sic) com x de bicho com ch de animal, já que a polissemia explica o caso. Acredito até, apesar de nunca ter lido a respeito, de que se chame bicho aos calouros por eles se terem de submeter a encenações grotescas que lhes impõem os estudantes mais "experientes". O que me chama também a atenção é o feminino bixete (acredito que por coerência o grafem assim, já que não se encontra dicionarizado), que tem o sufixo -ete (do francês -ette), próprio do dimunutivo daquela língua. Terão influenciado palavras como chacrete e tantas outras do show biz na formação da palavra e talvez porque o feminino abalizado bicha poderia ter associações homossexuais indesejadas.
Caso semelhante é o de pichar, que insistem em escrever com x, mas isso já daria outro assunto.
Caso semelhante é o de pichar, que insistem em escrever com x, mas isso já daria outro assunto.
Saturday, February 9, 2008
sérico
A primeira vez que encontrei a palavra sérico foi num texto de medicina que tinha de traduzir. Como não a conhecia, procurei-a no dicionário e o que encontrei foi relativo à seda. Como era possível que tivesse relação com a seda algo que falava de sangue, perguntei-me. Não satisfeito com a primeira resposta, voltei ao dicionário e observei que havia uma segunda acepção de abaixo com o número 2, que dizia sérico relativo a soro. Era isso que se encaixava no meu contexto! Traduzi alegremente o resto do texto e nunca mais voltei a pensar nisso.
Alguns dias atrás, entretanto, comecei dizer à minha noiva que tinha uma pele sérica e pedi-lhe que procurasse a palavra, o que ela não fez até agora, o que me trouxe à velha questão do real significado de sérico. Como é possível que a mesma palavra tenha significados tão distintos? Qual apareceu primeiro? Suponho que a definição número 1, que por algum motivo seria a número 1. O dicionário Houaiss também dá a mesma ordem de acepções e diz que sérico como relativo à seda teve sua primeira atestação em 1619 e não se pronuncia quanto à primeira ocorrência de sérico como relativo ao soro. Seria menos confuso se seríceo se reservasse à seda e sérico ao soro, mas talvez eu esteja fazendo tempestade em copo d'água porque nenhuma das palavras parece gozar de amplo uso.
Alguns dias atrás, entretanto, comecei dizer à minha noiva que tinha uma pele sérica e pedi-lhe que procurasse a palavra, o que ela não fez até agora, o que me trouxe à velha questão do real significado de sérico. Como é possível que a mesma palavra tenha significados tão distintos? Qual apareceu primeiro? Suponho que a definição número 1, que por algum motivo seria a número 1. O dicionário Houaiss também dá a mesma ordem de acepções e diz que sérico como relativo à seda teve sua primeira atestação em 1619 e não se pronuncia quanto à primeira ocorrência de sérico como relativo ao soro. Seria menos confuso se seríceo se reservasse à seda e sérico ao soro, mas talvez eu esteja fazendo tempestade em copo d'água porque nenhuma das palavras parece gozar de amplo uso.
Friday, February 8, 2008
hodônimo, singeniônimo e licnobita
Não adianta procurar as últimas duas palavras no dicionário ou no Google que não vai encontrá-las, elas foram de certa forma por quem vos fala. Hodônimo, que o meu dicionário Aurélio de 1986 não registra, mas que felizmente encontrei no Houaiss eletrônico, ao qual de repente já não tenho acesso, significa designação de rua (do grego hodos = rua, caminho + onima - nome). Singeônimo seria uma possível forma portuguesa do italiano singeonimo (com acento no primeiro o), que o mestre Luca Serianni, professor de história da língua italiana da Universidade de Roma La Sapienza, me ensinou no seu magistral Grammatica Italiana. Singeonimo significa nome de parentesco, como pai, mãe, tio, etc. (assim como topônimo é nome de lugar, como Rio de Janeiro, São Paulo, etc.). Licnobita é a minha adaptação do inglês lychnobite /líknobait/, que aprendi hoje, formado com os elementos gregos lychnos - lâmpada + bios - vida, que portanto significa aquele que dorme de dia e trabalha à noite.
Thursday, January 31, 2008
Experiência
Já venho notado há algum tempo que por tradução do inglês experience em português têm aparecido frases como Aumente a sua experiência em vídeos, calcado no inglês Enhance your video (viewing) experience. Por que temos de nos subjugar ao inglês mais nessa? O nosso Melhore o jeito de ver vídeos não é o bom o suficiente?
Wednesday, January 30, 2008
Tense-less Sentences in Japanese
A particle-less sentence in Japanese can refer to an event that occurred in the past. One might read in a newspaper headline: 株価下落する.
This, compared to 株価が下落する, is a reference to a past event. One typically reads in newspaper what happened the day before. It is the absence of the subject particle that keeps the sentence from referring to the present as verbs in the ru-form usually do.
I have been thinking about this off and on and come to realise that generative grammar has a great answer. X-bar theory, a sub-branch of the theoretical linguistics, holds that if and only if a verb is coded with a tense, then it can mark the subject noun with nominative (subject being a function vs. nominative being a manifest/morphological case marking).
Now, we know as an observed datum that 株価下落する sentence does not refer to the present. So, according to X-bar theory (or more specifically, the one that concerns inflectional phrases) the verb 下落する is not coded with a tense. The absence of the present, which is a tense, makes it impossible for the usual subject marker -ga to come into the scene.
A verb can also have an aspect besides a tense. Usually ru-forms are coded with the perfective aspect and the non-past tense. In this example sentence, we have no reason to consider that the apsect is taken away from the verb even if it is not marked with a tense. 下落する, therefore, is a tenseless reference of a perfective event. This is close enough to be used in place of the past in newspapers. The difference between the tenseless perfective and the past is that the former cannot accompany a specific reference of time: while 三日後に株価が下落する (non-past: typically, future interpretation) and 三日前に株価が下落した (past) are okay, *三日後に株価下落する and *三日前に株価下落する are ungrammatical. This further corroborates that the type of particle-less sentences we have discussed is tenseless — tense elements supplied from an adverbial component of the sentence are rejected because it is not amenable with the verb.
This, compared to 株価が下落する, is a reference to a past event. One typically reads in newspaper what happened the day before. It is the absence of the subject particle that keeps the sentence from referring to the present as verbs in the ru-form usually do.
I have been thinking about this off and on and come to realise that generative grammar has a great answer. X-bar theory, a sub-branch of the theoretical linguistics, holds that if and only if a verb is coded with a tense, then it can mark the subject noun with nominative (subject being a function vs. nominative being a manifest/morphological case marking).
Now, we know as an observed datum that 株価下落する sentence does not refer to the present. So, according to X-bar theory (or more specifically, the one that concerns inflectional phrases) the verb 下落する is not coded with a tense. The absence of the present, which is a tense, makes it impossible for the usual subject marker -ga to come into the scene.
A verb can also have an aspect besides a tense. Usually ru-forms are coded with the perfective aspect and the non-past tense. In this example sentence, we have no reason to consider that the apsect is taken away from the verb even if it is not marked with a tense. 下落する, therefore, is a tenseless reference of a perfective event. This is close enough to be used in place of the past in newspapers. The difference between the tenseless perfective and the past is that the former cannot accompany a specific reference of time: while 三日後に株価が下落する (non-past: typically, future interpretation) and 三日前に株価が下落した (past) are okay, *三日後に株価下落する and *三日前に株価下落する are ungrammatical. This further corroborates that the type of particle-less sentences we have discussed is tenseless — tense elements supplied from an adverbial component of the sentence are rejected because it is not amenable with the verb.
Wednesday, December 12, 2007
Špagety
Špagety je jasně italského původu, ale zajímalo by mě, proč se česky píše š a ne s, protože původní tvar má vyslovnost se s. Je pravda, že se v několika italských dialektech vyslovuje s před souhláskou jako š, ale standardní italština to nepřipouští. Je možné, že Češi se naučili to slovo od Němců, již vyslovují s před souhláskami p a t jako š. A odmítám hypotézu slovenské vlastnosti v té vyslovnosti, protože ruské спагетти a polské spaghetti (s původním pravopisem) nemají zvuk š místo zvuku s.
Friday, December 7, 2007
Diruptivo
Mais um erro de tradução, esta vez na página 68 de A menina que roubava livros:
A razão de ela ter sido promovida teve mais a ver com o fato de Liesel ter-se tornado diruptiva na turma dos mais novos.
Diruptivo, ensina o mestre Aurélio, significa 1.Que arruína; destrutivo, destruidor. 2. Que provoca ruptura.
Pelo contexto não se evidencia que a menina fosse destruidora ou que ela provocasse rupturas, simplesmente que ela era malcomportada, inquieta ou perturbadora, sentido que pertence a disruptive em inglês.
A razão de ela ter sido promovida teve mais a ver com o fato de Liesel ter-se tornado diruptiva na turma dos mais novos.
Diruptivo, ensina o mestre Aurélio, significa 1.Que arruína; destrutivo, destruidor. 2. Que provoca ruptura.
Pelo contexto não se evidencia que a menina fosse destruidora ou que ela provocasse rupturas, simplesmente que ela era malcomportada, inquieta ou perturbadora, sentido que pertence a disruptive em inglês.
Lheísmo
Não há nada que me irrite mais no português brasileiro do que o lheísmo (bom, tinha chego, já discutido, acho que consegue essa proeza). Parece que até alguns anos atrás o fenômeno se estendia ao Nordeste do Brasil e era característico do falar deles, mas principalmente depois do sucesso de Senhora do Destino, em que a personagem principal interpretada por Suzana Vieira era nordestina e recorria constantemente ao lhe como objeto direto, parece que esse uso espúrio chegou para ficar. Explico: o pronome lhe (do illi latino, dativo) tem a função de objeto indireto, ou seja, só aparece com verbos transitivos indiretos, que são aqueles verbos que exigem preposição(quem vende, vende vende algo a alguém; quem dá dá algo a alguém; quem obedece obedece a alguém; quem perdoa perdoa a alguém; por isso seria completamente correto dizer vendo-lhe, dou-lhe, obedeço-lhe, perdôo-lhe). Mas esse lhe não tem função de objeto direto, quem ama ama alguém; quem beija beija alguém; quem veste veste alguém, portanto não seria correto (e dói um absurdo nos meus ouvidos ainda não conformados com isso): amo-lhe, beijo-lhei, visto-lhe. Só que esse lhe parece ter tomado essa posição quando o referente é o pronome você em detrimento dos pronomes o e a, que marcam claramente o gênero. Não sei se quem faz uso do lhe como objeto direto o faz para fazer declarações de cunho geral, esquecendo-se de que em português o masculino é o gênero não marcado, ou se o faz porque acha que o e a se referem só a referentes ausentes (ele e ela), ou ainda se o faz porque até pouco tempo atrás o pronome lhe não parecia fazer parte do português brasileiro falado e usá-lo daria um toque de classe à fala. O fato é que isso está brotando como cogumelos (para usar um símile inglês) a ponto de o mesmo texto apresentar esse lhe errôneo nada mais nada menos do que quatro vezes e corretamente só uma vez. Abaixo apresento texto, lindo por sinal no que se refere ao seu conteúdo, e marco com negrito o único caso em que o pronome lhe está sendo corretamente usado:
Durante um seminário para casais, perguntaram à esposa:
- seu marido lhe faz feliz?
- ele lhe faz feliz de verdade?
Neste momento, o marido levantou seu pescoço,demonstrando segurança. Ele
sabia que sua esposa diria que sim,pois ela jamais havia reclamado de algo
durante o casamento.
Todavia, sua esposa respondeu com um 'Não', bem redondo...
- Não, meu marido não me faz feliz.
Neste momento, o marido já procurava a porta de saída mais próxima.
- Ele não me 'faz' feliz... Eu sou feliz.
O fato de eu ser feliz ou não, não depende dele e sim de mim.
E continuou dizendo:
- Eu sou a única pessoa da qual depende a minha felicidade.
Eu determino ser feliz em cada situação e em cada momento da minha vida;
pois se a minha felicidade dependesse de alguma pessoa, coisa ou
circunstância sobre a face da terra, eu estaria com sérios problemas.
Tudo o que existe nesta vida muda frequentemente...
O ser humano, as riquezas, meu corpo,o clima, meu chefe, os prazeres, etc.
E assim poderia citar uma lista interminável. Às demais coisas eu chamo
'experiências'; esqueço-me das experiências passageiras e vivo as que são
eternas; amar, perdoar, ajudar, compreender, aceitar, consolar.
Lembro-me de viver de modo eterno.
Talvez seja por isso que quando alguém me faz perguntas como esta:
'Você é feliz no seu casamento?' ou 'Você é feliz?', gosto de responder com
apenas uma frase, como se esta fosse a conclusão de todo o seminário, como
se esta fosse a chave de toda a felicidade de todo matrimônio e de toda
vida humana; gosto de responder com aquela velha e famosa frase que ainda
não conseguimos compreender:
'A felicidade está centrada em mim' .
Há pessoas que dizem:
'Hoje não posso ser feliz porque estou doente,
porque não tenho dinheiro,
porque faz muito calor,
porque alguém me insultou,
porque alguém deixou de me amar,
porque alguém não soube me dar valor...'
SEJA FELIZ ,
mesmo que faça calor,
mesmo que esteja doente,
mesmo que não tenha dinheiro,
mesmo que alguém tenha lhe machucado,
mesmo que alguém não lhe ame ou não lhe dê o devido valor.
'SEJA FELIZ. Sempre!!!'
Tuesday, November 27, 2007
Encontro lítero-musical
Recentemente vi o neologismo (e pelo jeito um hapax prolegomenon) lítero-musical. Pode parecer chique por ter uma proparoxítona - a acentuação que menos existe em língua portuguesa, comum em cultismos, por isso se devem acentuar graficamente - mas não se pode dizer que a palavra esteja bem formada. Primeiro: a palavra lítero não existe, o que mais se lhe avizinha é litera (proparoxítona), letra em latim. Segundo: nesse tipo de compostos hifenizados em que o segundo elemento é adjetivo, o primeiro também o é (político-econômico, democrata-cristão, etc.), exceção feita para os compostos constituídos de elementos gregos (geopolítico, hidroelétrico, etc.), o que não é o caso aqui. Daí a necessidade de se haver criado algo como encontro literário-musical. Pronto! Estão satisfeitos todos os requisitos para um vocábulo bem formado em língua portuguesa.
Monday, November 26, 2007
Sackjacking
Het is een wijd verbreid fenomeen dat buitenlandse woorden soms een andere betekenis krijgen in de taal die ze adopteert. Dat is iets natuurlijks in alle talen. Men kan niet verwachten dat alle burgers een vreemde taal zo goed beheersen zodat ze het buitenlandse woord in zijn oorspronkelijke betekenis gebruiken. Maar vandaag is me iets interessants gebeurd. Ik heb altijd de indruk gehad dat een enorme aantal Nederlandstaligen op een bijna perfect niveau communiceert in het Engels dat ze geen Engels woord "slecht" zouden gebruiken. Het woord waarvan ik spreek is sackjacking. Ik heb het vandaag voor de eerste keer gezien en wilde er meer informatie over krijgen en dacht natuurlijk aan Google, maar alle pagina's die ik gevonden heb waren uit België! Dat woord werd in België gecreëerd maar blijkbaar wordt het niet gekend door Engelse moedertaalsprekers. Het interessante ding is dat het ook op sommige Franstalige Belgische pagina's voorkomt tussen aanhalingstekens, hetgeen moet betekenen dat de tekstschrijver weet dat het geen echt Frans woord is maar het kent en de nood voelt het te gebruiken. Het was moeilijk een definitie van sackjacking online te vinden, het beste wat ik heb gevonden is: Toen de ruit aan diggelen was geslagen, bedreigde de man het slachtoffer met pepperspray. Hij griste daarop haar handtas - met daarin 49.800 euro, de dagopbrengst van de autohandel - mee en ging er vandoor.
Thursday, November 8, 2007
Estratagema
¿Por qué será que el español ha optado por darle a la palabra estratagema género femenino? ¿La presencia de la a en el fin? Se debe recordar que las palabras en -ma, que eran originalmente neutras en griego, han pasado a las lenguas neolatinas como masculinas (salvo en rumano, en el que todos los vocablos en -ma son femeninos): el problema, el teorema, el morfema, el sintagma, pero extrañamente la estratagema y el/la anatema, este último sustantivo ambiguo según indican los diccionarios. Me pregunto qué fenómenos lingüísticos se habrán producido para que se asignase a estratagema el género femenino.
Wednesday, November 7, 2007
Retornável
Volto a falar de más traduções, mormente do inglês, que vieram para ficar. A palavra retornável é uma delas. O sufixo -ável significa aquilo que pode ser feito. Como se vê, aí temos a voz passiva, e só tem voz passiva verbo transitivo direto. Acontece que retornar como transitivo direto significa fazer retornar, tornar, como em O inverno retornou os viajantes à América, acepção de que acabo de me inteirar. Mas na palavra retornável pegou-se o inglês returnable, aquilo que pode ser returned, ou seja, devolvido, e aplicou-se a qualquer embalagem, sobretudo garrafas, que possa ser devolvida a um estabelecimento comercial para que se abata o preço do vasilhame ao consumidor. Em outras palavras, returnable daria devolvível em português, que não se encontra dicionarizado, mas retornável também não. A diferença é que faria é que teríamos elementos portugueses se tivéssemos adotado a palavra grafia e não essa mistura de inglês com português que temos agora.
Friday, October 26, 2007
Guspir
Depois de alguns anos sem ir ao dentista, tomei vergonha na cara e dirigi-me à tão temida cadeira para preencher uma cratera que se havia formado no meu dente. Estar lá com a boca aberta e com a língua para fora fez-me pensar em outra língua: a portuguesa. A dentista durante toda a minha consulta pronunciou a palavra cuspir, que ela deve pronunciar centenas de vezes por dia, guspir (pode guspir, pode guspir, pode guspir). É claro que já tinha ouvido essa articulação a incautos, mas não o esperava de uma profissional dos dentes, que afinal fez uma boa faculdade (ou pelo menos supõe-se e/ou espera-se). A língua portuguesa, assim como a espanhola, de certo tende à sonorização (é por isso que o latim amicus virou amigo em português e em espanhol), mas isso só ocorre entre vogais, nunca no início da palavra. O que está em jogo aqui é algo muito mais poderoso que não consigo compreender. Imagino alguém que quer saber como se diz guspir em outra lingua e não acha no dicionário, simplesmente porque a palavra oficialmente não é assim (e se depender de mim, que permaneça na ilegalidade por um bom tempo).
Thursday, October 25, 2007
Solicitamos aguarde
Ao esperar na linha para comprar a minha passagem de avião para Europa (finalmente a Europa!), ouvi uma gravação com uma construção que nunca encontrara antes na língua falada: Solicitamos aguarde. Imediatamente chamou-me a atenção a ausência da conjunção integrante que, a que estamos acostumados. Uns instantes depois lembrei-me nos rincões mais recônditos da minha de ter lido algo a respeito, e após desempoeirar um velho livro de gramática portuguesa, achei:
A língua portuguesa permite, em alguns casos, silenciar a integrante que:
Não cuideis seja a masmorra
Não cuideis seja o degredo (C. Meireles, OP, 862).
Em geral, a omissão da integrante é possível depois de certos verbos que exprimem ordem, desejo, pedido ou súplica: mandar, ordenar, querer, esperar, pedir, solicitar (negrito meu), rogar, suplicar, etc.
Essa supressão é própria da língua inglesa e de outras línguas germânicas, que o fazem sem o menor pejo, e também é encontradiça no espanhol (com restrições) e no italiano (bem mais freqüentemente). Talvez tenha colaborado para o aparecimento dessa construção o fato de a companhia aérea ser espanhola e haver uma gravação também em espanhol, que pode ter "contaminado" a tradução em português, mas neste caso de forma positiva e bastante literária.
A língua portuguesa permite, em alguns casos, silenciar a integrante que:
Não cuideis seja a masmorra
Não cuideis seja o degredo (C. Meireles, OP, 862).
Em geral, a omissão da integrante é possível depois de certos verbos que exprimem ordem, desejo, pedido ou súplica: mandar, ordenar, querer, esperar, pedir, solicitar (negrito meu), rogar, suplicar, etc.
Essa supressão é própria da língua inglesa e de outras línguas germânicas, que o fazem sem o menor pejo, e também é encontradiça no espanhol (com restrições) e no italiano (bem mais freqüentemente). Talvez tenha colaborado para o aparecimento dessa construção o fato de a companhia aérea ser espanhola e haver uma gravação também em espanhol, que pode ter "contaminado" a tradução em português, mas neste caso de forma positiva e bastante literária.
Wednesday, October 24, 2007
have forbade
I learned that the past participle of forbid is forbidden (and sometimes forbid) and that is what most websites on the English language tell you, but I've found an instance of forbade as a past participle in an article about swearing by Steven Pinker that caught my eyes:
Cultural conservatives were outraged (that the Federal Communications Commission hadn't sanctioned NBC for not bleeping out the word fucking pronounced by Bono on the Golden Globe Awards). California Representatives Doug Ose tried to close the loophole in the FCC's regulations with the filthies piece of legislation ever considered by Congress. Had it passed, the Clean Airwaves Act would have forbade from broadcast (and he reels off a string of words...)
None of my references tell me that usage is okay (and sounds odd to me) but examples on Google abound by the thousands, but Google itself recommends you try have forbid, has forbid and had forbid when you key in have forbade, has forbade and had forbade, respectively, suggesting it is a misspelling. Have/has/had forbidden still is the victor, though, and I hope it goes on like this for many decades to come.
Cultural conservatives were outraged (that the Federal Communications Commission hadn't sanctioned NBC for not bleeping out the word fucking pronounced by Bono on the Golden Globe Awards). California Representatives Doug Ose tried to close the loophole in the FCC's regulations with the filthies piece of legislation ever considered by Congress. Had it passed, the Clean Airwaves Act would have forbade from broadcast (and he reels off a string of words...)
None of my references tell me that usage is okay (and sounds odd to me) but examples on Google abound by the thousands, but Google itself recommends you try have forbid, has forbid and had forbid when you key in have forbade, has forbade and had forbade, respectively, suggesting it is a misspelling. Have/has/had forbidden still is the victor, though, and I hope it goes on like this for many decades to come.
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