Word of the Day

Thursday, August 4, 2016

Falar bonito

Precisa-se de operador de lavagem automotiva.

Não se trata simplesmente dum lavador de carros?

Sunday, July 24, 2016

Equívocos em Não é errado falar assim

Como nem eu nem minha mulher não encontramos o endereço eletrônico do professor Marcos Bagno para que eu pudesse enviar-lhe alguns comentários ao que escreve no seu livro Não é errado falar assim, resolvi incluí-los aqui na esperança de que um dia o autor os veja e corrija algumas informações a respeito de certas línguas que aparecem em sua obra.

1.Menciona-se que o húngaro não tem pronome de terceira pessoa:
Na verdade, o que ocorre é que um único pronome, ő, singular, pode ser masculino ou feminino, mas como se vê, ele está vivinho da Silva. Seu plural é ők, que também pode ser masculino ou feminino.

2.Diz-se que a ordem da língua húngara é SOV, ou seja, sujeito-objeto-verbo:
Essa ordem é muito comum, mas a língua húngara tem uma ordem de palavras extremamente flexível. Afirma-se que o verbo se põe imediatamente antes do elemento que se quer enfatizar. Para mostrar como é flexível, alguns exemplos reais, com o verbo em negrito, seguido da respectiva tradução:
Napra pontosan öt évvel ezelőtt, 2011. július 22-én Norvégia örökre megváltozott
Hoje exatamente cinco dias atrás, em 22 de julho de 2011, a Noruega mudou para sempre.

A tömeggyilkosság sokkolta az országot, de másfél évvel később a norvég emberek már a borzalmakon felülemelkedve tudtak beszélni a szörnyű eseményről.
A carnificina chocou o país, mas um ano e meio depois o povo norueguês, tendo superado os horrores, já conseguia falar sobre o terrível caso.

Oslóban ezen a napon kezdtem el 100 napig tartó, hét országot érintő északi körutamat, aminek célja, hogy a magyar embereket jobban megismertessem Európa e távoli vidékének életével.
Nesse dia em Oslo comecei um percurso de 100 dias que passaria por sete países cujo objetivo seria mostrar melhor aos húngaros a Europa e a vida desse local remoto.

3.Jeder traduzido como aquele:
A intenção do autor foi grafar jener, jene, jenes, com n, para indicar aquele(a/es/as), não jeder, jede, jedes, que significa cada.

4.As línguas eslavas não têm artigo:
De fato, a maioria não tem, mas há duas que são exceção: macedônio (ou macedônico) e búlgaro. Em ambas as línguas, livro, por exemplo, se diz kniga (escrito em alfabeto cirílico); já knigata, com o artigo posposto, significa o livro. Knigi é livros e knigite é os livros, novamente com o artigo posposto, da mesma forma que o romeno e as línguas escandinavas.





Friday, July 22, 2016

Frituras


Sujeitos sensíveis, modernos, sedutores e, no frigir dos bolinhos, tão egoístas como costumam ser aqueles que estão se afogando.

Até então só conhecia no frigir dos ovos. Vejo que a maioria devastadora das ocorrências dessa nova expressão na internet é desse mesmo autor. Parece que quer popularizar a novidade (será invenção dele?), que a julga engraçada ou sei lá o quê. Os únicos seguidores que recrutou parece serem este e este. Este já foi além: além dos bolinhos, frigiu também as batatas.

Wednesday, July 20, 2016

Filosofando sobre filósofos

Será que nós, com todas as nossas ideias mirabolantes de como o “mundo melhor” deve ser, seremos capaz de fazer o mesmo para nossos descendentes?

Será que capaz, com o som de s no final (ch em algumas regiões), é plural de capá?

E a crença na sociedade de mercado se deve a percepção de que o comércio é uma atividade ancestral na vida humana e responsável pelo enriquecimento da humanidade nos últimos 250 anos. Com o comércio vem ideias, dinheiro, oportunidades, tolerância cultural.
Negritos meus. Vê-se que nem um reputado filósofo brasileiro sabe português. Quem será que sabe então?

Por isso a esquerda fez a guerrilha para levar o Brasil pra uma ditadura de esquerda em meio a guerra fria

Mais uma vez a falta de acento indicador de crase. Como escrevi em outra ocasião no blogue, é possível que muitos achem que a crase foi eliminada com o Acordo Ortográfico.

E seria melhor grafar Guerra Fria com maiúsculas. Como o Acordo de 1990 não contempla o caso, penso que não se revogou o estipulado pelo Acordo de 1943, seguido até então no Brasil: 10º - Nos nomes de fatos históricos e importantes, de atos solenes e de grandes empreendimentos públicos: Centenário da Independência do Brasil, Descobrimento da América, Questão Religiosa, Reforma Ortográfica, Acordo Luso-Brasileiro, Exposição Nacional, Festa das Mães, Dia do Município, Glorificação da Língua Portuguesa, etc. Observação - Os nomes das festas pagãs ou populares escrevem-se com inicial minúscula: carnaval, entrudo, saturnais, etc.


Monday, July 18, 2016

Trandafir

Romanian is the only Indo-European language I am aware of that doesn't normally use a cognate for rose to name that flower, but uses trandafir instead, from modern Greek meaning thirty leaves. This dictionary presents two cognates, but labels them regional or archaic. Even two non-Indo-European languages like Finnish and Hungarian use something similar to rose.

Saturday, July 9, 2016

Lheísmo e outros probleminhas em tradução de entrevista

Vocês todos têm sangue em suas mãos. E, se essa foto lhe ofende, você também tem sangue em suas mãos”.

Nem tradução escapa ao lheísmo! Prefiro até a mistura de te com você (se essa foto te ofende, você tem...) do que esse uso do lhe como objeto direto. Se não quer misturar os pronomes, então: Se essa foto o ofende/ofende você, você também...

A jornalista é lheísta inveterada mesmo. No mesmo artigo lê-se: O que lhe motivou a publicar a foto com você e seus amigos vestidos como drag depois do ataque em Orlando?

Continuando: “Queers árabes enfrentam uma luta dupla: enquanto nós lutamos contra as forças opressivas dentro de nossas próprias comunidades"

Duvido que a maioria dos brasileiros saiba o que são queers. Nem têm a obrigação de saber. Não é palavra da língua portuguesa. Se ficou conhecido estes últimos sete anos que moro fora do país, não sei dizer. Queers são gays, homossexuais e quejandos. Bom, parece que não é tão desconhecido assim. Consta do Dicionário Informal.

Tradução malfeita na minha opinião: E, quando fui para o Canadá, para estudar na universidade, pensei que seria a chance de explorar minha sexualidade. Quem diz estudar na universidade? Sugiro: Quando fui fazer faculdade no Canadá, pensei...

Deixei escapar uma vez, mas desta vez não passa: A internet ainda não era o que é agora, em termos de ser um ponto de encontro e contato, então muito disso acontecia em alguns cafés e bares. Em termos de ser acho bem pouco português. Sugiro: A internet ainda não era o que é agora, um ponto de encontro... Muito mais simples, não?

Parece que não é tão inveterada assim: O senhor começou trabalhando na área de ajuda humanitária. O que o levou a escrever Guapa?

O que será que a faz escolher entre o e lhe? A direção do vento?

Mas respeito aqueles que consideram que sair do armário [sobre sua orientação sexual] não é algo que necessariamente queiram fazer. É necessário que haja respeito para as diferentes opiniões.

Obrigado pelo adendo entre colchetes! Sem ele eu teria entendido que a maioria é masoquista e prefere ficar no armário, em companhia de roupas e traças, na escuridão e sem ar.

Temos ditaduras militares, o controle dos direitos sobre os corpos e sobre a liberdade sexual.

Que corpos? Imagino que seja o próprio. Por que esse plural?





Thursday, July 7, 2016

Celebrizar

Descobri recentemente o verbo celebrizar:

n verbo
 transitivo direto e pronominal
1    tornar(-se) célebre, ilustre; distinguir(-se), notabilizar(-se)
Exs.: tinha o mesmo talento que celebrizou Paganini
 celebrizou-se após o concerto de estreia
 transitivo direto
2    realizar cerimônia de evocação de (fato, acontecimento, pessoa); celebrar, comemorar
Ex.: celebrizaram o noivado com grande pompa

O Houaiss 2009 data-o de 1836. Há muitos exemplos de uso no Córpus do Português e no Google Livros.

Não encontrei cognato em nenhuma língua latina. Apenas em francês há menção dele nesta obra de 1801, onde aparece qualificado como neologismo. Em pleno século XXI não encontro o tal neologismo de dois séculos atrás registrado em nenhum destes dicionários. Talvez a palavra não tenha tido muito êxito em francês. Traduzindo os exemplos do livro: O mais insignificante dos jornalistas crê celebrizar o mais obscuro autor ao qual faz elogios. É a mania dos nossos escultores de celebrizar tal ou tal cabeça, que deve pertencer a um general ou a um histrião. Note-se que este uso de célébriser só corresponde à acepção 1 do dicionário Houaiss, não à 2.

Tuesday, July 5, 2016

Frescura

Escolher o idioma me ajuda a tratar o tema com maior frescura e mais liberdade também.

Errado não é, mas acho que no Brasil de atualmente seria muito mais comum aí o termo frescor. Frescura muitas vezes tem conotação negativa. O fato de a entrevistada ser mexicana com certeza contribuiu para a manutenção dessa palavra, já que em espanhol é sempre frescura.

Sunday, July 3, 2016

Anglicanismos

Apesar do estereótipo de que os franceses se coíbem de falar inglês, muitos jovens franceses querem melhorar as suas competências e adotaram muitos anglicanismos na linguagem do dia-a-dia.

Neste caso, anglicismos, não anglicanismos. E dia-a-dia perdeu os hifens/hífenes, mas a verdade é que não sei se este portal segue ou não o Acordo. Se procede da mesma forma que o canal televisivo RTP, então o segue e deveria grafar dia a dia.

Wednesday, June 29, 2016

Constructions with relative pronoun whose

Romanian is the only language I know that has crossed agreement when it comes to the whose construction. Other languages either make the pronoun agree with the possessed (Portuguese, Spanish, Italian...) or with the antecedent (Slavic and Germanic languages):


Some Romance languages:
Portuguese: O homem cuja filha trabalha com meu pai é estrangeiro.
Spanish: El hombre cuya hija trabaja con mi padre es extranjero.


Some Slavic languages:
Czech: Muž, jehož dcera pracuje s mým otcem, je cizinec.
Slovak: Muž, ktorého dcéra pracuje s mojím otcom, je cudzinec.
Polish: Mężczyzna, którego córka pracuje z moim ojcem, jest obcokrajowcem.

Some Germanic languages:
English: The man whose daughter works with my father is a foreigner.
German: Der Mann, dessen Tochter mit meinem Vater arbeitet, ist ein Ausländer.
Dutch: De man wiens dochter met mijn vader werkt, is een vreemdeling.
Swedish: Mannen vars dotter arbetar med min far är en utlänning.

But in Romanian:
Bărbatul a cărui fată lucrează cu tatăl meu este străin.
Where a agrees with a term not immediately after it, fată, a feminine noun, and cărui agrees with bărbatul, a masculine noun, also not immediately before it.

It is somewhat akin to Italian
Italian: L'uomo la cui figlia lavora con mio padre è straniero. 
where the relative pronoun cui must be preceded by an article that agrees with the noun that comes later.

French has it easier:
L'homme dont la fille travaille avec mon père est étranger.
Where dont is invariable.

Monday, June 20, 2016

Poecilonym

I have just learned that a poecilonym is the same thing as synonym. Unfortunately I haven't found a cognate in any Romance language, pecilonimo?, pecilónimo?, maybe because the word doesn't come to us directly from Ancient Greek (its first documented use is from 1890, as the source states) and it was probably coined by an English speaker.

Thursday, June 16, 2016

Empinar matéria

e isso não passa por empinar matéria mas por garantir que seguem o caminho correto e são capazes de procurar as ferramentas necessárias para obter os melhores resultados. 

Empinar matéria, em Portugal, pelo que entendi desta explicação, significa decorar, memorizar, saber de cor e salteado. No meu tempo de escola dizíamos, no interior de São Paulo, rachar de estudar.

Tuesday, June 14, 2016

Pěkně

Ten orloj je teda pěkně divný nanuk. - (Wow.) This clock is a pretty funny/weird popsicle.

It is an advertisement seen at Brno streetcar/tram stops. They are probably referring to this. What caught my attention is the use of pěkně, "pretty", adverb form of pěkný. It works the same way as pretty before an adjective in (American) English. I can't think of any other language that allows this adverbial use of pretty.

Sunday, June 12, 2016

Já jedím

I really enjoy talking to the neighbors' children, whose ages range from 3 to 6, one of the reasons being I like to pay attention to their use of Czech to see how their language proficiency is faring and what mistakes they make. Czech kids have a much better command of language than their Brazilian peers, many (most?) of whom talk funny until they start school (and some of them even after that). Yesterday, talking to a 3-year-old neighbor kid, I said oni jedí (they eat) and a few seconds later she came up with já jedím (I eat, correctly: já jím). It makes sense: if oni mluví (they speak) and já mluvím (I speak), oni zdobí (they decorate) and já zdobím (i decorate, then oni jedí, já jedím) My wife thinks I threw her off because she may be more accustomed to nonstandard oni jí.

Friday, June 10, 2016

São precisos esperar

"Os tratamentos duram três a seis meses e são precisos esperar mais três [após o fim da medicação] para ter o resultado final. 

Não, três (meses) não é o sujeito da oração, é objeto do verbo esperar, que, por sua vez, é o sujeito, portanto: Os tratamentos duram três a seis meses e é preciso esperar mais três...

Wednesday, June 8, 2016

The dead die, and unnecessarily

Seen in a Czech weekly magazine:

V Česku každoročně umírá zbytečně 40 procent zemřelých - tedy více než 18 tisíc lidí.

In the Czech Republic 40% of dead people die unnecessarily every year, that is, more than 18,000 people.


Sunday, June 5, 2016

MHD in English

Seen in the town of Olomouc: I MHD, and you? MHD makes no sense to someone who doesn't speak Czech. MHD is an acronym for městská hromadná doprava, literally urban mass transit.

Wednesday, June 1, 2016

English made in Finland

My wife and I have recently returned from Finland. Most Finns speak excellent English, but there was somebody, our 50-odd year old guide around the fortress of Suomenlinna, carrying a name tag with the flags of England, Sweden and Finland, who sometimes left a little to be desired. It was easy to understand her and she was knowledgeable about Finnish history and the surroundings of the castle, but she made up a lot of words, like old-fashionable. For her ships can swim. Her pronunciation was also off sometimes: she repeatedly pronounced area as uh-REE-uh and archipelago as Ahr-kuh-puh-LAH-go. She produced They usually never fought in winter. An example of a messup with verb tenses: In the 19th century this fortress has been.... But the most interesting things were the nonexistent English words. If I didn't speak other languages, I might have not understood her. She mentioned Helsinkians pendling between the city and the island. She meant commuting. German has pendeln, Swedish has pendla, and Czech has pendlovat for that meaning. Once, describing, I suppose, some sort of rod, stick or stake, she called it a slag (I know, this is a word, but it is not what she meant). I associated it with German schlagen and Swedish slå, "to strike, to pound, to hit". There were also rooting (at least it sounded like this) soldiers. I think she meant some sort of amateur soldiers, islanders who defended the fortress even though they had never been trained to bear arms.